2006-09-19

Festa dos Chocalhos 2006 Alpedrinha


Este espectáculo aconteceu numa capela muito antiga (chamada a Capela do Leão) e fazia parte dum casarão privado, Acordeonista Sertório de Mora
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É no silêncio
é no silêncioque melhor ludribio a morte
não já não me prendo a nada mantenho-me suspenso neste fim de século reaprendo os dias para a eternidade porque onde termina o corpo deve começar outra coisa outro corpo
ouço o rumor do vento vai alma vai até onde quiseres ir
In «Uma Existência de Papel»: Regresso às Histórias Simples, 1984/1985
Al Berto(Portugal, 1948-1997)

2006-08-08

Kadisnky escondido atrás da tela


II - Kadisnky escondido atrás da tela
muito antes de ter adoptado formas rigorosamente geométricas (para fugir à anarquia) pintei este arco vermelho ligando duas zonas da mesma paisagem: ponte escura por onde - tu que me olhas - podes passar ao encontro da intensa chama das manhãs
e do outro lado do arco onde o vento e a árvore se perdem na euforia de suas próprias cores- escondido atrás da tela - vejo-te cada vez mais próximo como se avançasses pela desintegração do átomo ou pelo deslumbramento dos lumes te acercasses de mim: o olhar envolto na teia harmoniosa de colorida música
Al Berto(Portugal, 1948-1997)
In «A Secreta Vida Das Imagens», 1984/85
(este trabalho está inserido num novo trabalho meu, que fotografei nos bastidores deste espectáculo de "Variedades Viva a Revista").
Grupo Dramático e Escolar os Combatentes

2006-07-26

Os olhos são como as mão!


Os olhos são como as mãos

Os olhos, quando lêem, são como as mãos que amam. Soletram sentidos, afagam letras, acarinham ideias acetinadas. Os olhos, quando lêem, trespassam volúpias, modelam desejos e quereres íntimos. Os Olhos São Como As Mãos, Quando lêem, amam. E decifram Os nossos corpos imaginados…Como fotografias, Em sonhos emoldurados…
Venteira e Amadora, 29 de Junho de 2006João Castela Cravo

Com o apoio do GDF – GRUPO DE DINAMIZAÇÃO DA FOTOGRAFIA

2006-07-21

Corpo


Corpo
que te seja leve o peso das estrelas e de tua boca irrompa a inocência nua dum lírio cujo caule se estende e ramifica para lá dos alicerces da casa.
abre a janela debruça-te deixa que o mar inunde os órgãos do corpo espalha lume na ponta dos dedos e toca ao de leve aquilo que deve ser preservado
mas olho para as mãos e leio o que o vento norte escreveu sobre as dunas
levanto-me do fundo de ti humilde lama e num soluço da respiração sei que estou vivo sou o centro sísmico do mundo


Al Berto(Portugal, 1948-1997)
In “A Noite Progride Puxada à Sirga”: Réstia de Sangue, 1985

2006-07-13

Exposição Fotográfica


Inauguração da Exposição no dia 17 de Julho de 2006 pelas 20 horas e 30 minutos, fica aqui o convite.

2006-06-09

Público é de todos Privado é de alguns


José E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora José? e agora, você? você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama, protesta? e agora, José? Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já não pode fumar, cuspir já não pode, a noite esfriou, o dia não veio, o riso não veio, não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora José? (...)
Carlos Drummond de Andrade

"o Álvaro"


Fascinação
Entre os becos da tua vida Descanso na tua esquina somos dois distraídos acumulados nas águas mornas Porque me fascinas!
Numa organização aflita Dispo-te entre ramos debotados nas luzes de um sol traidor Lentamente assustador Aonde me fascinas!
Quero-te à beira de uma árvore Num mar que não me pertence A tua ausência desliza como pingos de uma água visitada Como me fascinas!
Vi-te respirar num rochedo vivo O teu olhar resultou num suspiro demorado Estás nas metades abertas Num esconderijo de necessidades E me fascinas, liberdade.

de Susana Pestana

2006-05-22

Auto retrato a cores!!


BILHETE
Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres, enfim, tem de ser bem devagarinho,
Amada, que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...

Mário Quintana