2006-04-19

Viver a vida e a Revolução #4


(foto dedicada à minha mâe, pois hoje é o Aniversário dela 12-04-2006).

Doce Ilusão

O mito da verdade hoje transformou-se no medo da verdade, afinal, dizer a verdade tornou-se algo tão perigoso que cheira à ruínas, mas depois de todos os escombros, resta sempre o amanhã. Doce Ilusão.

Guilherme Meneghelli

2006-04-18

Viver a vida e a Revolução #3


Palestina
Adalberto Alves
Podem pisar-te como à erva ruim E dizer que essa terra não é tua, Podem matar os teus, sacrificar-te, Pretendendo que o teu reino é o da lua, Podem forças obscuras conjurar-se P'ra roubar o que desde sempre te cabia, Podem queimar-te e arrasar-te Mas não negar a luz do dia. Podem erguer um muro de mentira Para deter os ventos do deserto Mas eles amam-te e são teus Sempre voltarão e hão-de ficar perto. Teus filhos hão-de saber salvar-te, Terra mártir, altiva e beduína, E a meiga pomba da paz e da alegria Pousará, de novo, em ti, Ó Palestina.

2006-04-10

Viver a vida e a Revolução #2


Sociedade sem consumo

Têm fome
Têm a baba do vaticano
Vão a pé na procissão paralítica dos profetas desempregados estão grossos
Estão finos e em coma do que não comem
Pagam em prestações o carro e o medo
Batem no bife
Sonham com moscas
Têm fome e comem;
Batatas guisadas
Batatas fritas
Batatas cozidas ou
uma tortilha sem ovos.

Miriam Assor

2006-04-06

Viver a vida e a Revolução #1


Perfilados de medo, agradecemos o medo que nos salva da loucura. Decisão e coragem valem menos e a vida sem viver é mais segura.
Aventureiros já sem aventura, perfilados de medo combatemos irónicos fantasmas à procurado que não fomos, do que não seremos.
Perfilados de medo, sem mais voz, o coração nos dentes oprimido, os loucos, os fantasmas somos nós.
Rebanho pelo medo perseguido, já vivemos tão juntos e tão sós que da vida perdemos o sentido...
Alexandre O`Neill

2006-04-02

"Olhares sobre o partido" V


Palavras
Machados Que batem e retinem na madeira, E os ecos! Ecos escapam Do centro como cavalos.
A seiva Mina em lágrimas, como a Água tentando Repor seu espelho Sobre a rocha
Que cai e racha, Crânio branco, Comido por ervas daninhas. Anos depois eu As encontro no caminho -
Palavras secas, sem destino, Incansável som de cascos. Enquanto Do fundo do poço, estrelas fixas Governam uma vida.
Sylvia Plath