2006-05-22

Auto retrato a cores!!


BILHETE
Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres, enfim, tem de ser bem devagarinho,
Amada, que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...

Mário Quintana

2006-05-15

Sessão de solidariedade com Cuba

«Cuba contra o terrorismo»
Cerca de um milhar de pessoas participou, numa iniciativa contra o terrorismo e o bloqueio imposto pelos EUA a Cuba. Lembrou-se ainda o atentado à bomba contra a Embaixada daquele país, em Portugal.
A 22 de Abril de 1976, foi colocada uma bomba na Embaixada de Cuba em Lisboa, destruindo as instalações e matando dois diplomatas cubanos: Adriana Corcho e Efrén Monteagudo.Passam agora 30 anos sobre este acto terrorista que deixou a Av. Fontes Pereira de Melo em estado de sítio. Uma pasta foi colocada à saída do elevador principal. No seu interior havia uma bomba, com mais de seis quilos de TNT. Ao ver fumo algumas pessoas aproximaram-se e quando se perceberam que era uma bomba, tentaram pôr-se a salvo. Às 16h45 acontece a explosão, que destruiu totalmente o piso, com o resto do prédio a sofrer danos consideráveis.Adriana e Efrén, que tentaram que os seus companheiros passassem para locais mais seguros, perderam a vida. Perdiam-se dois diplomatas valiosos, jovens com 33 e 36 anos, plenos de energia.Tinham a força suficiente para movimentar o motor da vida. Eram consagrados à sua profissão e dedicados a fortalecer as relações entre os povos de Cuba e Portugal.Desde o primeiro momento da acção terrorista, uma concentração do povo português, que permaneceu longas horas no lugar, deu mostras de apoio e solidariedade para com o povo cubano. Ouviram-se frases de condenação ao fascismo, à reacção e à CIA.

2006-05-10

A dimensão da coerência


Depoimento

A dimensão da coerência

Ruben de carvalho

O traço justamente mais sublinhado sobre Álvaro Cunhal é o da firme coerência, a determinada fidelidade às suas convicções de sempre. É de uma visão justa, mas que faz correr o risco de um perturbante equívoco. Na verdade, essa coerência, levada às últimas consequências de empenho e sacrifício, não relevava de uma personalidade unidemensional, de um universo intelectual limitado ou obcecado, antes era o resultado do pensamento e do coração de um ser ricamente contraditório, o resultado de opções tanto mais ricas quanto viviam de um diálogo interior de uma enorme riqueza. O pensamento político de Cunhal é sublinhado como uma pura obediência teórica marxisma-leninista e é inquestionável que Cunhal era um rigoroso conhecedor de Marx e Lénine. Mas nada se compreenderá se ficarmos por aqui. Esta assumida matriz ideológica não se traduzia (como durante décadas foi marca universal do pensamento comunista) na citação convocada a argumento de autoridade, na repetição mecânica de fórmulas ou análises cuja riqueza antes residia na adequação à sua contemporaneidade. Era na rigorosa e constante preocupação com a realidade, na atenção ao quotidiano e no estudo sistemático de dados que Cunhal revelava e ganhava a sua autoridade e eficácia. Esta vertente teórica dele não fazia, contudo, um frio intelectual de gabinete. A par e passo, havia o observador com um profundo sentido prático das coisas, sempre virada a compreender o Homem, a integrar tal compreensão na visão e na proposta política. Nem, por outro lado, se pense encontrarmo-nos ante o adepto da construção de esquemas e projectos frios resultado de análises falamos de um político capaz de intuições surpreendentes, que as fazia dialogar com o rigor analítico e, quantas vezes, acabavam por ser responsáveis por sínteses de espantosa fertilidade. Recorde-se, por exemplo, quanto representa de criatividade teórica e política uma ideia como a de que o futuro transformador do 25 de Abril resultaria do binómio povo-MFA e como essa criadora e aparentemente simples síntese se viu confirmada como uma evidência definidora da realidade 74-75. Da mesma forma se poderá falar da imagem de dura intransigência com a qual se tende a emoldurar a coerência, quando se sabe da multiplicidade de interesses e talentos, de uma vida interior fina e cultivada, de uma sensibilidade estética criadora, de um conceito e prática de vida em que se integravam afectos, prazeres, alegrias e tristezas.A surpresa que para muitos constituiu o livro "A Arte, o Artista e a Sociedade" ver-se-ia certamente ampliada quando se soubesse que uma reunião com Álvaro Cunhal podia perfeitamente terminar com uma polémica face à sua opinião de que a culinária mais apaixonante é aquela que a partir dos ingredientes utilizados cria um sabor novo e inexistente na natureza (perspectiva, de resto, inteiramente marxista!) ou que do seu conceito de exercício do cargo de secretário-geral fazia parte a concepção de dever guardar segredo, mesmo face ao partido, de aspectos pessoais da vida de um quadro, fosse questão do foro efectivo ou de uma doença grave.O que dá grandeza à figura de Álvaro Cunhal não é qualquer cega determinação de um iluminado, um qualquer sectarismo filho de uma visão limitada do mundo. É, bem pelo contrário, a forma como um homem a quem quase tudo teria sido possível, fez a sua empenhada e exemplar opção de vida não limitando ou mutilando personalidade ou talentos, mas antes vivendo-os com humana vontade. O que explica que recordemos Álvaro Cunhal como um grande Homem é estarmos face a alguém que lançou na vida de entrega aos outros que escolheu tudo aquilo de que a vida o dotou e tudo o que da sua própria vida justamente recebeu.

Foto de Mário Sousa

2006-05-03

Ensaio de Abril #4


Desassossego
Temos fome de tudo o que não nos deixam vezes incorrectas, vezes repetidas vezes alcalinas vezes transparentes Cartas, telegramas, sismos Gaguejo um astro sem companhiaJ á não respiro, já não falo Já não tenho pulsos Corro? Mexo? E o que gritoSossega na mesma Folha?

Miriam Assor