2006-06-09

Público é de todos Privado é de alguns


José E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora José? e agora, você? você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama, protesta? e agora, José? Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já não pode fumar, cuspir já não pode, a noite esfriou, o dia não veio, o riso não veio, não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora José? (...)
Carlos Drummond de Andrade

"o Álvaro"


Fascinação
Entre os becos da tua vida Descanso na tua esquina somos dois distraídos acumulados nas águas mornas Porque me fascinas!
Numa organização aflita Dispo-te entre ramos debotados nas luzes de um sol traidor Lentamente assustador Aonde me fascinas!
Quero-te à beira de uma árvore Num mar que não me pertence A tua ausência desliza como pingos de uma água visitada Como me fascinas!
Vi-te respirar num rochedo vivo O teu olhar resultou num suspiro demorado Estás nas metades abertas Num esconderijo de necessidades E me fascinas, liberdade.

de Susana Pestana