2006-07-21

Corpo


Corpo
que te seja leve o peso das estrelas e de tua boca irrompa a inocência nua dum lírio cujo caule se estende e ramifica para lá dos alicerces da casa.
abre a janela debruça-te deixa que o mar inunde os órgãos do corpo espalha lume na ponta dos dedos e toca ao de leve aquilo que deve ser preservado
mas olho para as mãos e leio o que o vento norte escreveu sobre as dunas
levanto-me do fundo de ti humilde lama e num soluço da respiração sei que estou vivo sou o centro sísmico do mundo


Al Berto(Portugal, 1948-1997)
In “A Noite Progride Puxada à Sirga”: Réstia de Sangue, 1985

3 Comments:

Blogger Vanda Baltazar said...

Ja tou a ver que perdi muito.

7:10 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

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8:33 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

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3:38 da tarde  

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